terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

11 - Revolta e revolução




Pessoal, no ano passado (Primeira Série do Ensino Médio) nós utilizamos alguns conceitos básicos no estudo das sociedades antigas e medievais, como CIVILIZAÇÃO, ESTADO, GOVERNO, CIDADANIA, TRABALHO COMPULSÓRIO, ESCRAVIDÃO e SERVIDÃO. Nesse ano (Segunda Série), além desses conceitos já vistos, vamos utilizar outros, como PODER, HEGEMONIA, ELITES, REVOLUÇÃO e REVOLTA. Segue abaixo uma pequena definição desses termos:

PODER

Poder é a capacidade que um Estado, organização, grupo social ou indivíduo tem de, utilizando determinados recursos, alcançar um objetivo desejado, mesmo que isso contrarie interesses de outras pessoas. No interior de uma sociedade ou na relação entre sociedades diferentes, o poder implica em impor algo a outro: ele é uma relação entre entidades dominantes e dominadas, rivais ou aliadas. O poder nunca é estático e pode ser ampliado, reduzido ou eliminado. Quem possui e exerce poder é uma potência.

TIPOS DE PODER. O poder pode ser dividido em diversos tipos ou redes, destacando-se quatro: o poder econômico (controle das riquezas e tecnologia), o poder político (capacidade de governar a sociedade ou de participar do governo, exercida pelas elites dirigentes, burocracia e partidos), o poder militar (uso da força armada, em geral pelo Estado, mas também por grupos independentes do Estado, como organizações revolucionárias e criminosas) e o poder ideológico (controle das ideias e capacidade de impor crenças). Com efeito, o uso da força (militar, econômica) ou a manipulação política não são necessariamente os únicos instrumentos de exercício do poder. Na verdade, a manutenção do poder muitas vezes também depende de mecanismos ideológicos: os valores e concepções da realidade de um grupo social ou de uma organização política ou religiosa podem persuadir outros setores da sociedade a identificar os seus interesses com os dos mais poderosos, legitimando a dominação ou a liderança de um grupo sobre os demais. Além disso, alguns interesses econômicos e políticos comuns podem levar as pessoas a apoiar ou colaborar com o poder do grupo dominante.

HEGEMONIA.Hegemonia (do grego hegemonia ou “direção”, “proeminência”), é um conceito fundamental nos estudos sobre o poder. O termo é usado nas ciências humanas como sinônimo de supremacia, predominância, liderança ou influência preponderante de uma entidade sobre outras. Assim, no sentido da política interna de um país, podemos falar da hegemonia de um grupo, partido ou classe sobre a sociedade, em geral acompanhada pelo controle do aparelho de Estado. Podemos também falar em hegemonia de uma ideia ou de uma doutrina na cultura de um povo, como a que norteia os seus valores, a sua política ou o seu sistema educacional, influenciando a formação individual. Já nas relações internacionais, podemos falar da hegemonia de uma grande potência sobre o conjunto dos outros países, inclusive sobre outras grandes potências. Nesse caso, queremos dizer que em um sistema de Estados um deles é hegemônico, ou seja, que uma determinada ordem internacional é caracterizada pela supremacia econômica ou militar de uma potência sobre as demais.

O PODER DAS ELITES. Quem de fato detém o poder de comando da sociedade? Uma importante corrente da Sociologia e da Ciência Política que tenta responder essa questão é a teoria das elites ou elitismo, representada por Vilfredo Pareto (1848-1923), Gaetano Mosca (1858-1941) e Robert Michels (1876-1936). Qualquer organização econômica, política ou religiosa, naturalmente, possuiu uma elite ou minoria que se destaca pelas suas qualidades especiais como conhecimento e prestígio ou pelos cargos que ocupa nessas organizações. Partindo desse princípio, a teoria das elites afirma que as sociedades, mesmo aquelas com regimes democráticos, são sempre dominadas por uma minoria ou elite em razão dela possuir determinados recursos e atributos, que podem ser econômicos ou não (melhor capacidade de organização, mais conhecimento, força militar, legitimação ideológica, prestígio). A inevitabilidade do governo das elites levou Michels a afirmar a existência de uma "lei de ferro da oligarquia": a democracia exige organização e a organização pressupõe a existência de uma elite dirigente ou oligarquia. As elites que detém o poder político podem também deter o poder econômico, o poder ideológico ou o poder militar ou uma combinação deles, mas não há uma regra quanto a isso. A elite política dirigente pode ser distinta da elite econômica, ainda que exista, como geralmente acontece, algum tipo de associação ou aliança entre elas para preservar a ordem social. Com efeito, a teoria das elites destaca a manipulação das massas pelas elites políticas por meio de mecanismos ideológicos que legitimam sua dominação, inclusive nas democracias. As elites dirigentes, contudo, não formam necessariamente um grupo coeso e nem mantém permanentemente o poder político. Elas podem ficar divididas por questões ideológicas e facções rivais, e outras elites podem surgir entre os grupos dominados. As elites dirigentes podem ser substituídas por novas elites em processos violentos (revoluções, guerras civis, golpes de Estado) ou pacíficos (eleições), mas a sociedade continuará dominada por uma minoria que detém o poder.

CONFLITO POLÍTICO

O conflito político é uma luta pelo poder entre forças rivais. Quando ocorrido no interior de uma sociedade, ele envolve a luta pelo controle do Estado, pela participação política ou para pressionar o governo a fazer reformas que ele resiste em aplicar. O conflito político pode ser violento ou pacífico. Durante a maior parte da história, a disputa pelo poder foi um processo violento, envolvendo derrubadas de governos, confrontos armados, massacres, eliminação e prisão de rivais. Nas sociedades modernas mais avançadas e amadurecidas, a violência dos conflitos políticos foi drasticamente reduzida, sobretudo a partir da segunda metade do século XX.  A disputa pacífica pelo poder no interior de uma sociedade, mobilizando amplos segmentos sociais num quadro de legalidade, respeito às instituições, tolerância e debate público, é considerada uma prática normal nos regimes democráticos. Embora esse tipo de disputa tenha ocorrido de forma limitada e por algum tempo na Grécia e em Roma na Idade Antiga, ela é um fenômeno relativamente recente, estabelecida nos Estados inspirados no liberalismo. Quando ocorre de forma violenta, o conflito político assume diversas modalidades: golpe de Estado, revolução, contrarrevolução, revolta e guerra civil.

GOLPE DE ESTADO. Também conhecido pelos termos francês coup d’État e alemão putsch, o golpe de Estado é a destituição de um governo por opositores ou a alteração de um regime político pelo próprio governante por meio da força ou de meios inconstitucionais. Todo golpe de Estado bem-sucedido, mesmo quando dirigido por civis, conta com a participação ou o respaldo de militares, necessária para reprimir a resistência aos golpistas. De fato, historicamente a maioria dos golpes de Estado que triunfou foi liderada por militares que romperam com a ordem política vigente.

REVOLUÇÃO. Revolução é uma mudança relativamente rápida e profunda nas estruturas de uma sociedade. Grosso modo, as revoluções podem ser divididas em quatro tipos genéricos, que muitas vezes estão associados: a revolução política, a revolução social, a revolução econômica e a revolução cultural. A revolução política é uma mudança intencional e súbita do regime político e da organização do Estado, refletindo a ascensão ao poder de novas elites ou de elites dissidentes (parte da elite dirigente tradicional que rompeu com o antigo regime). A revolução política pode ocorrer de forma violenta (fruto de uma insurreição ou de um golpe de Estado, por exemplo) ou de forma pacífica (como em eleições em uma democracia ou em movimentos populares de desobediência civil). A revolução política muda o regime político mas não muda necessariamente a estrutura econômica e social (a organização da sociedade, as formas de trabalho, os direitos de propriedade, a distribuição das riquezas). A revolução econômica, por sua vez, é uma transformação relativamente rápida no modo de produção das riquezas, implicando no estabelecimento de novas técnicas, das formas de trabalho e da divisão de trabalho. Já a revolução cultural é uma mudança radical dos valores, costumes e ideologia predominantes. Quando a revolução política é acompanhada de mudanças profundas na sociedade ela é chamada de revolução social. A revolução social resulta, simultaneamente, em um novo regime político, em uma nova sociedade e uma nova economia, respaldadas por uma nova ideologia (uma nova visão de mundo ou de interpretação da realidade) que legitima as mudanças na organização do Estado e nas relações econômicas e sociais (alteração nos direitos políticos e de propriedade, nas formas de trabalho, na distribuição de riquezas). Em geral, em razão das profundas mudanças que ela pretende ou ameaça gerar no poder político, no poder econômico e nas relações no interior da sociedade, a revolução social é violenta – uma violência que parte tanto dos grupos interessados nas mudanças revolucionárias quanto dos grupos contrários a elas. Em alguns casos, a revolução social é feita e liderada pelo próprio governo, com respaldo de parte das elites dominantes, interessadas em modernizar a sociedade e a economia (por exemplo, com a industrialização rápida), preservando, porém, o poder em suas mãos. Essa modalidade de revolução social é chamada de revolução pelo alto. A Revolução Meiji no Japão (1868), que resultou na abolição do feudalismo e dos exércitos samurais, na industrialização, na modernização militar e na criação de uma monarquia constitucional e de uma sociedade capitalista, é um exemplo de uma revolução pelo alto. Mas a maioria das revoluções sociais é da modalidade chamada de revolução por baixo, caracterizada pela mobilização popular, quer dizer, pela ação das massas de trabalhadores até então excluídas do governo, lideradas por uma elite revolucionária que toma o poder dos grupos dirigentes. A revolução social por baixo é guiada pelo ideal de construção de um novo regime político e de uma nova sociedade considerada melhor e mais justa do que a anterior. Foram os casos notórios da Revolução Francesa (1789), da Revolução Russa (1917), da Revolução Chinesa (1949) e da Revolução Cubana (1959). A revolução social, portanto, é a combinação da revolução política com a revolução econômica e a revolução cultural, transformando a organização do Estado, a estrutura de classes, o modo de produção e a ideologia dominante. Nesse sentido, não há consenso entre os historiadores a respeito do tipo de revolução (política ou social?) que caracterizou a Revolução Puritana (1640) e a Revolução Gloriosa (1688) – ambas na Inglaterra  – e a  Revolução Americana (1776).

REVOLUÇÃO BURGUESA. Revolução burguesa é a revolução política ou revolução social que cria um Estado com instituições e leis favoráveis ao desenvolvimento do capitalismo. Em geral, ela é identificada com a revolução liberal, quer dizer, com uma revolução inspirada nos valores do liberalismo e no estabelecimento de um regime liberal (direitos naturais do indivíduo, como vida, propriedade privada e liberdade; ideal de cidadania, assegurando esses direitos e deveres; isonomia ou igualdade dos cidadãos diante da lei; governo eleito constitucional limitado pela lei; tolerância ideológica e liberdade de expressão; liberdade econômica com pouca intervenção estatal no capitalismo).

CONTRARREVOLUÇÃO. A contrarrevolução é o movimento de enfrentamento de uma revolução política ou de uma revolução social que pode ocorrer antes ou durante o processo revolucionário. Ela pode ser a intensificação de medidas governamentais repressivas e de controle social para impedir a eclosão de uma revolução, especialmente em um contexto de crise econômica e política que ameaça a ordem tradicional. Contudo, a contrarrevolução é mais comum durante o processo revolucionário, quando ela é caracterizada pelas ações reacionárias do governo e dos grupos dirigentes que lutam para preservar o poder. Depois da conclusão da revolução, a contrarrevolução passa a ser um outro movimento – o movimento pela restauração do antigo regime e da ordem social anterior.

REVOLTA. A revolta, também chamada de rebelião, é uma manifestação coletiva contra as autoridades e a ordem vigente. Ela é distinta da revolução política. Uma revolta pode se transformar em uma revolução mas, em geral, ela é um acontecimento mais limitado em seus objetivos. A revolta é mais localizada, sua motivação ideológica é muitas vezes ausente e ela reivindica medidas políticas ou econômicas imediatas que não implicam em transformar total ou radicalmente a ordem vigente – ao contrário, uma revolta pode ser desencadeada para forçar o governo a aplicar a lei ou restaurar algum direito abolido. A rebelião pode estourar espontaneamente em razão do descontentamento de algum setor da sociedade, inclusive de militares (nesse caso a revolta contra os superiores hierárquicos é chamada de motim), mas também pode ser resultado de um planejamento ou conspiração, acompanhada de uma insurreição (levante armado). A revolta termina com os rebeldes sendo reprimidos ou anistiados pelo Estado, ou com suas reivindicações atendidas.

GUERRA CIVIL. A guerra civil é a modalidade mais extrema de luta pelo poder no interior da sociedade. Ela é o conflito armado dentro de um país entre grupos rivais, deixando a sociedade radicalmente dividida (uma guerra doméstica ou fratricida). Nas revoluções políticas e sociais, a guerra civil é caracterizada pela luta entre revolucionários e contrarrevolucionários.

Bibliografia:

DEFRONZO, James. Revolutions and Revolutionary Movements. Philadelphia: Westview, 2011.

MALIA, Martin. History's Locomotives  – Revolutions and the Making of the Modern World. New Haven: Yale, 2006.

PARKER, Noel. Revolutions and History. Cambridge: Polity Press, 1999.

SKOCPOL, Theda. States and Social Revolutions. Nova York, Cambridge, 1979
 
 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

10 - Estudante de 16 anos passa em nove vestibulares de medicina


Pessoal, recebi uma mensagem interessante do professor Riemma. Trata-se de uma reportagem sobre uma estudante de 16 anos aprovada no vestibular em diversas universidades. Saiu no G1 (09/02/2011)

Estudante de 16 anos é aprovada em nove vestibulares para medicina

'Sempre fui exigente demais comigo', diz Marcela. Garota vai estudar na Universidade de São Paulo (USP).

                                                                                                    Vanessa FajardoDo G1, em São Paulo

Marcela Malheiro Santos, de 16 anos, tem o privilégio de escolher entre o curso de medicina de nove universidades brasileiras. A estudante foi aprovada nas principais instituições de ensino do país, entre elas: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
No total, Marcela prestou 13 vestibulares. Passou em nove, não passou em quatro. A estudante já decidiu: vai fazer o curso de medicina da USP.
Filha de um bancário e uma profissional de biblioteconomia, a estudante diz que seus pais nunca exigiram que ela fosse uma aluna excelente e tivesse sucesso no vestibular. A mãe, inclusive, avisou que a família faria um esforço para mantê-la em uma universidade particular caso ela não conseguisse vaga nas públicas. Porém, Marcela nem trabalhou com esta hipótese.
"Sempre fui exigente demais comigo. Na escola se eu tirasse nove ficava mal e ia questionar o professor", disse Marcela ao receber a reportagem do G1 em sua casa, no bairro de Pirituba, em São Paulo, na manhã desta quarta-feira (9). Em plena entrevista, o nome da vestibulanda aparecia em mais uma lista, a dos aprovados em medicina pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Mesmo antes de concluir o ensino médio, o nome da estudante já aparecia na lista de classificados da USP. No ano passado, ela foi aprovada como treineira na área de biológicas, e no primeiro ano do ensino médio também passou para a segunda fase, mas não fez a prova porque foi viajar.

Quando criança, ela 'pulou' um ano
Ainda criança, Marcela mostrou seu potencial. Quando tinha 6 anos, sua mãe foi informada pela professora de educação infantil da escola onde estudava que a menina já estava alfabetizada e portanto atrapalhava o andamento da turma, por isso deveria ser matriculada no primeiro ano do ensino fundamental, ou seja, "pular" um ano. A mãe, na época, teve dificuldades de encontrar um colégio que aceitasse a matrícula já que a menina ainda não havia completado 7 anos.
Marcela fará 17 anos no próximo dia 22 de fevereiro. Para ela, a pouca idade não será problema quando estiver na faculdade. "Todo mundo estará lá com o mesmo objetivo. Foi difícil para todo mundo da mesma forma, por isso a idade não faz diferença."
Aluna do Colégio Integrado Objetivo, em São Paulo, Marcela diz que não esperava passar em nenhum dos vestibulares que prestou. Tanto que chegou a se matricular como garantia na PUC-Paraná, uma das primeiras instituições a divulgar o resultado. "Toda vez que via meu nome na lista de aprovados ficava muito surpresa", afirma.

Dedicação
Tanto sucesso não foi à toa. Marcela sempre foi boa aluna, ama ler e reservou o ano de 2010 para se preparar ao vestibular. Desistiu das aulas de balé, jazz e sapateado, das conversas com os amigos pela internet, e dos passeios. No máximo, dava uma volta de meia hora de bicicleta, pelo bairro onde mora, em Pirituba, aos domingos.
De manhã, frequentava as aulas regulares do terceiro ano do ensino médio, e à tarde aproveitava as atividades extras da escola, como plantão de dúvidas e aulas de redação. Em casa estudava na escrivaninha no quarto, sob silêncio total. "Nunca fui de ficar estudando o tempo todo, mas prestava muita atenção nas aulas. Os professores dão dicas do que vai cair e há questões modelo que você pode treinar", destacou.
A tática de Marcela foi inversa da maioria dos vestibulandos. Entre janeiro a maio de 2010, ela pegou pesado nos estudos, e relaxou no segundo semestre. "Não dá para estudar como maluca. Você fica muito cansada e dá mais nervosismo na hora da prova."

Escolha
A opção por estudar medicina veio de empurrão dos pais que consideram que ela tem perfil para carreira. A garota não imagina como será o curso, nem tem ideia da especialidade que pretende seguir. No momento, está ansiosa com o trote. "Estou com um pouco de medo, mas conheço uma menina que está no segundo ano que pode me ajudar", brinca.
Concluída a missão de passar no vestibular, Marcela tem planos de fazer dança de salão e voltar a viajar - uma de suas paixões. Quando fez 15 anos pode escolher entre uma festa e uma viagem. Fez a segunda opção e passou 30 dias viajando pela Europa com a irmã que também seguiu carreira em saúde e é dentista. Para comemorar o sucesso nos vestibulares, Marcela pretende fazer uma nova viagem com os pais.

Veja dicas de estudos da vestibulanda
- Se possível, dedicar o ano aos estudos e dispensar demais compromissos;
- Não estudar muitas horas por dia;
- Prestar atenção nas aulas e nas dicas dos professores;
- Responder questões de vestibulares anteriores, pois muitos modelos são mantidos;
- Ler revistas, jornais, livros e sites informativos;
- Aos alunos que ainda não estão no terceiro ano, vale a pena prestar vestibular como treineiro;
- Revisar a matéria do dia, em casa;
- Fazer uma redação por semana;
- Buscar formas de relaxar o corpo e a mente pelo menos uma vez por semana;
- Evitar comidas pesadas, como fritura, principalmente antes das provas.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

1 - Bem-vindo(a)!

Estamos iniciando mais um ano letivo. Neste blog você encontrará:


■ Esquemas e textos de História baseados no conteúdo da Segunda Etapa do PAS/UnB.

■ Comentários e sugestões de livros e filmes.

■ Trechos de reportagens e de outros blogs sobre história e atualidades.

O blog só publica comentários de usuários com conta no Google. Portanto, se você quiser comentar as postagens terá que criar a sua conta. Comentários que eu considerar ofensivos serão apagados.

Lembre-se que a construção do conhecimento não é algo fácil. O estudo pode ser, às vezes, divertido. Mas ele exige sempre esforço, o que envolve concentração, dedicação e alguma dose de sacrifício.

Bom trabalho!

2 - Conteúdos e sugestões de leituras

O conteúdo de História do Segundo Ano do Ensino Médio segue, em suas linhas gerais, o programa da segunda etapa do PAS/UnB. Esse conteúdo envolve História Geral e História do Brasil nos séculos XVII, XVIII e XIX. Mais precisamente em História Geral, os assuntos são:


■ Revolução Inglesa (1640-1689)

■ Revolução Industrial (1780-1900)

■ Iluminismo (século XVIII)

■ Crise do Antigo Regime e do colonialismo mercantilista (1760-1825)

■ Revolução Americana (1775-1787) e os EUA no século XIX

■ Revolução Francesa/Era Napoleônica (1789-1815)

■ Revoluções Latino-Americanas (1790-1825) e América Latina no século XIX

■ Europa no século XIX

■ Imperialismo no século XIX

Os assuntos da História do Brasil são:

■ Movimentos de independência (1789-1825)

■ Época da Monarquia (1822-1889), incluindo as fases políticas, a formação da identidade nacional, as disputas territoriais no Prata, a questão do escravismo e as transformações econômico-sociais associadas ao avanço do capitalismo.

Os livros adotados pela escola e os textos avulsos atendem esses assuntos. Contudo, se você gosta de História e deseja aprofundar o conteúdo, sugiro os seguintes títulos:

Sobre a História do Brasil

História do Brasil. Boris Fausto (Editora EDUSP, 1994)
Lançado há mais de uma década, esse livro de Boris Fausto consolidou-se como o melhor manual de História do Brasil, tornando-se referência no gênero.

Uma Breve História do Brasil. Mary del Priore e Renato Venâncio (Editora Planeta do Brasil, 2010)
De leitura fácil e agradável, essa obra segue uma linha narrativa e menos acadêmica do que o livro de Boris Fausto.

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil. Leandro Narloch (Editora Leya, 2009)
Escrito por um jornalista inspirado no sucesso da série americana The Politically Incorrect Guide's, esse livro propõe uma interessante revisão de alguns mitos da história do Brasil.

Sobre a História Geral

Civilização Ocidental – Uma História Concisa. Marvin Perry (Editora Martins Fontes, 1999)
Esse manual universitário de leitura fácil é a melhor síntese disponível em língua portuguesa sobre a história da Europa, das origens da civilização ao final do século XX. Abrangente, bem escrito e com ótimas análises – destacando-se os capítulos sobre o pensamento e a cultura ocidental – é um livro que vale a pena ser adquirido para a sua biblioteca.

A Riqueza e a Pobreza das Nações. David Landes (Editora Campus, 1998)
Por que algumas nações são tão ricas e outras tão pobres? O autor estuda a trajetória das nações “vencedoras” e das “perdedoras” nos últimos 600 anos, destacando o papel da cultura no sucesso – ou fracasso – econômico e militar dos povos. Excelente análise.

História das Idéias Políticas. Oliver Nay (Editora Vozes, 2007)
Ótimo manual que descreve e analisa as idéias políticas de centenas de pensadores da Antiguidade Clássica aos nossos dias. Os capítulos 4, 5 e 6 especialmente tratam do período cobrado na 2a etapa do PAS/UnB.

Sobre a História da América Latina

História da América Latina Vol. III – Da Independência até 1870. Leslie Bethel (Editora EDUSP, 2004)
Esse livro faz parte de uma coleção originalmente editada pela Cambridge e organizada por Leslie Bethel, dos quais seis volumes foram traduzidos no Brasil. É claramente a melhor e mais detalhada obra sobre a história da América Latina. O terceiro volume abrange o período cobrado na 2a etapa do PAS/UnB, inclusive com capítulos sobre o Brasil monárquico.

Sobre a História dos EUA

Uma Reavaliação da História dos Estados Unidos. Charles Seller, Henry May e Neil McMillen (Jorge Zahar Editor, 1990).
De longe o melhor manual de História dos EUA publicado no Brasil. Os capítulos são intercalados por análises e polêmicas historiográficas. Infelizmente, parece que deixou de ser editado.

A History of the American People. Paul Johnson (Editora Harper Perennial, 1997)
Excelente narrativa e análise da história dos EUA.

Esses títulos constituem a biblioteca básica do nosso conteúdo para, repito, quem quiser aprofundá-lo. No decorrer das postagens dos assuntos, vou citar outros títulos mais específicos.

3 - Conceitos básicos

Durante o ano vamos utilizar diversos termos, entre eles “civilização”, “Ocidente”, “modernidade”, “modernização”, “capitalismo”, “imperialismo”, “colonialismo” e “liberalismo”. Abaixo você tem os conceitos básicos desses termos:


Civilização

No sentido cultural, civilização é um agrupamento de povos que compartilham diversos elementos ideológicos e políticos comuns, como religião, valores, normas e instituições, distintos daqueles de outros povos. Segundo essa interpretação, o núcleo de uma civilização é formado pelos seus países mais ricos e poderosos – os Estados-núcleos.

Civilização ocidental ou Ocidente

Ocidente ou civilização ocidental é o agrupamento cultural constituído pela Europa (onde essa civilização se originou) e os países de intenso povoamento europeu da América e da Oceania. Apesar de cada uma das diversas sociedades do Ocidente possuir características culturais particulares ou únicas (sua identidade cultural nacional), elas estariam unidas por uma cultura mais ampla comum baseada na fusão das tradições greco-romanas, judaico-cristãs e germânicas. Os principais elementos culturais da civilização ocidental são o legado clássico (filosofia e racionalismo gregos, o Direito romano, o conceito de cidadania), o cristianismo, a tradição medieval de constitucionalismo (a lei limitando o poder do governo) e de corpos representativos (parlamento) e o individualismo. Até 1914, quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial, a Europa foi o núcleo do Ocidente. Entre 1914 e 1945, o núcleo foi baseado em um equilíbrio entre a Europa e os EUA. Depois de 1945, os EUA assumiram a posição de principal Estado-núcleo da civilização ocidental, ainda que essa posição tenha sido desafiada pela força militar da URSS durante a fase da Guerra Fria (1945-1991).

Modernidade e modernização

Modernidade refere-se à fase da história das sociedades caracterizada pela industrialização, pela intensa urbanização, pela crença no racionalismo e no progresso e pelo avanço do pensamento secular ou laico (não-religioso) na política e no ensino em detrimento da religião – um conjunto de transformações nas estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais das sociedades agrárias ou tradicionais, resultado do impacto da Revolução Industrial e das idéias derivadas do Iluminismo.

Modernização é o processo de implantação da modernidade em uma sociedade pré-moderna. Em outras palavras, modernização é a transformação de uma sociedade pré-industrial (a sociedade agrária ou tradicional) em uma sociedade industrial e urbana (a sociedade moderna).

Capitalismo

Capitalismo é um sistema econômico e social com as seguintes características combinadas:

■ Economia de mercado – produção e distribuição de bens, serviços e informações voltadas para o comércio, visando o lucro e o capital (riqueza que investida gera mais riqueza) em um regime de concorrência entre empresas.

■ Propriedade privada do capital – empresas, meios de produção e outras fontes de riquezas pertencem aos capitalistas ou “burgueses”.

■ Predomínio do trabalho livre e assalariado do “proletariado”.

Imperialismo

Imperialismo é a tentativa de expansão do poder de uma potência sobre outros territórios e povos com o objetivo de estabelecer algum tipo de domínio ou de controle sobre eles. Na maioria dos casos, a potência imperialista é um Estado, com governo, forças armadas e funcionários civis. Algumas vezes, entretanto, o imperialismo é resultado da ação de organizações tribais, grupos de indivíduos ou de empresas privadas, em princípio agindo de forma independente do governo.

O imperialismo pode ser motivado por questões econômicas (busca de terras, matérias-primas, mercados, áreas de investimento), políticas (ampliar o poder internacional de um Estado, dominar um rival em potencial, controlar uma área estrategicamente importante para a defesa nacional, obter prestígio nacional, desviar a atenção dos problemas internos do país) e ideológicas (difundir, pela força, uma doutrina religiosa ou política secular).

O imperialismo é um fenômeno antigo na história das relações internacionais, ocorrendo em sociedades tradicionais e modernas, não-capitalistas e capitalistas.

Colonialismo

Colonialismo é o domínio de um país ou povo por uma potência imperialista, resultado de um imperialismo bem-sucedido (quando o imperialismo fracassa, não há colonialismo). O colonialismo implica na existência de um império colonial ou sistema colonial: uma relação internacional de dominação entre um centro de poder ou metrópole (a potência imperialista) e sua periferia ou colônia (o território dominado).

Como no caso do imperialismo, o colonialismo na maioria das vezes é organizado por um Estado, mas ocasionalmente ele também pode ser estabelecido por grupos privados. Mas mesmo quando o colonialismo é uma iniciativa de forças não-governamentais, o Estado acaba se envolvendo direta ou indiretamente sobre ele.

O colonialismo também é um fenômeno antigo nas relações internacionais e pode ser dividido em dois tipos:

Colonialismo formal ou direto: quando a metrópole governa a colônia, que é dominada política e economicamente pela potência imperialista. Exemplo: o domínio de Portugal no Brasil em 1530-1815. É comum categorizar o colonialismo formal em duas modalidades: (a) colonização de exploração: quando a colônia é criada, sobretudo, para gerar riquezas para a metrópole; (b) colonização de povoamento: quando a colônia é estabelecida, principalmente, para receber excedentes demográficos da metrópole. Essas duas modalidades não existiram de forma “pura”. Na prática, a maioria das colônias foi constituída combinando características desses dois modelos, com um deles predominando.

Colonialismo informal ou indireto: quando um país é independente politicamente, mas tem sua economia controlada por uma potência imperialista, ou tem sua soberania limitada pelo poder de intervenção daquela potência. Esses países dependentes economicamente ou com pouca autonomia política são considerados semicolônias, protetorados ou áreas de influência estrangeira. Exemplo: a partilha da China em zonas de influência européia e japonesa em 1842-1945. O termo neocolonialismo costuma ser utilizado como sinônimo do colonialismo informal econômico.

O domínio colonial e suas limitações. Na prática, a dominação colonial é mantida pela combinação do uso da força bruta (violência) com a influência cultural (ideológica) da metrópole sobre a colônia. Historicamente, quando o poder militar de uma metrópole ficava enfraquecido ou reduzido por causa de guerras ou problemas econômicos, a sua capacidade de dominar a colônia diminuía e as chances da população colonial obter a independência aumentavam – obviamente, se essa população considerasse a independência uma necessidade. Por outro lado, não bastava apenas a força militar ou a repressão para garantir a dominação colonialista. Era fundamental que uma parte da população da colônia (geralmente as elites coloniais, descendente de conquistadores e de imigrantes da metrópole, ou mesmo de origem nas etnias nativas) aceitasse o colonialismo para que fosse garantido um mínimo de estabilidade e funcionamento do sistema colonial. De fato, o colonialismo podia ou pode ser aceito por vários motivos: interesses econômicos dos colonos na metrópole (comércio, empréstimos), reconhecimento da importância da metrópole para a segurança dos colonos (defesa contra revoltas de nativos ou de escravos, proteção contra invasores estrangeiros) e identificação cultural dos colonos com a metrópole. Outros fatores como o conformismo e a passividade da maior parte da população colonial também tiveram um grande peso na manutenção do colonialismo. De qualquer forma, quando os setores mais poderosos da sociedade colonial passaram a considerar que a metrópole não apenas deixara de atender aos seus interesses, mas passara também a contrariá-los ou ameaça-los, o colonialismo mantido exclusivamente por meio da violência demonstrou ser inviável.

Liberalismo

Liberalismo é a doutrina que defende a liberdade política, econômica e de pensamento do indivíduo frente ao Estado e a coletividade. (a) Idéias políticas: o liberalismo baseia-se na crença na existência dos direitos naturais do indivíduo (vida, propriedade e liberdade), na defesa da isonomia (igualdade diante da lei), na tolerância da divergência de opinião e na divisão do Estado em três poderes (executivo, legislativo, judiciário) em um regime de “contrato social”, quer dizer, com um governo constitucional (limitado por leis), eleito e representativo dos cidadãos. (b) Idéias econômicas: o liberalismo defende o capitalismo com pouca interferência governamental e ampla liberdade de produção e de comércio. Os liberais acreditam que a livre iniciativa, a concorrência, o respeito à propriedade e aos contratos e o mercado funcionando de acordo com as leis da oferta e da procura são condições fundamentais para o progresso econômico e social.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

4 - A mente revolucionária

Em um texto sobre a situação política do Brasil, o filósofo Olavo de Carvalho escreveu um interessante comentário sobre a mentalidade revolucionária, que ele remete ao Iluminismo:

Todo sujeito que traz no bolso o projeto de “um mundo melhor” acredita-se, por definição, melhor que o mundo existente. Não há razão mais forte para colocar-se acima de todo julgamento humano, nem para sentir que qualquer quantidade de poder que se entregue nas suas mãos é pouca e mesquinha para a realização de objetivo tão nobre, tão excelso. Nosso Senhor disse aos apóstolos: “Vós julgareis o mundo”. Pelo menos desde o século XVIII, não há um só militante ou mero simpatizante revolucionário que, ouvindo essas palavras, não conclua com lógica implacável: “Isso é comigo.” Por definição, o privilégio de redimir-se mediante a simples alegação de boas intenções imaginárias não se estende jamais aos adversários da revolução. Estes, a priori, agem sempre por motivos egoístas e malignos, mesmo quando nada ganhem e, de coração, tudo sacrifiquem por aquilo em que acreditam. O revolucionário, em contrapartida, santifica-se automaticamente pelo simples fato de sê-lo, mesmo quando se locuplete e desfrute gostosamente dos bens alheios, colhidos a pretexto de salvar o mundo.

Olavo de Carvalho. Sanctus
Para ler o artigo completo clique em
http://www.olavodecarvalho.org/semana/100419dc.html

quinta-feira, 15 de abril de 2010

5 - Entrevista sobre o revisionismo histórico

Pessoal, o professor Waldson Muniz enviou-me uma ótima dica sobre o revisionismo histórico (a revisão do conhecimento histórico corrigindo antigas interpretações). Trata-se da entrevista feita pela jornalista Mônica Waldvogel, da Globo News, com o historiador Marco Antonio Villa e o jornalista Leandro Narloch sobre o tema da ideologização do ensino de História nas escolas, cursinhos, vestibulares e manuais. Clique AQUI para assistir.